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Rui Pedro Loureiro trabalha seis meses por ano em resorts e spas de luxo

Este português é requisitado por alguns dos melhores spas do mundo

Trocou o curso de matemática para computação gráfica pela licenciatura em medicina chinesa e, atualmente, passa quase metade do ano a trabalhar em resorts de luxo.

Na altura em que tentávamos acertar o horário da entrevista, através de vídeo-chamada, Rui Pedro Loureiro deixou escapar uma fotografia não recomendada a portugueses (e europeus em geral) em confinamento. Uma língua de areia branca banhada por um mar turquesa; o antípoda do cenário que tem vindo a tomar conta dos nossos dias. Uma de muitas praias idílicas que este português natural de Águeda tem a oportunidade de conhecer enquanto trabalha. Aos 45 anos, Rui Pedro Loureiro é chamado a orientar retiros e programas de bem-estar nalguns dos melhores spas do mundo.

No dia em que conversou com a Fugas estava no Mandarim Oriental, na ilha de Canouan, pertencente a São Vicente e Granadinas. Foi obrigado a prolongar a estadia naquele resort de luxo por conta da nova vaga de Covid-19, doença que no ano passado o levou a viver um ano atípico. Acabou por passar muito mais tempo em casa do que é habitual – como todos nós. Este ano, tem previstas viagens de trabalho às Maldivas, Grécia e, possivelmente, também à Costa Rica. Haja condições para viajar, pois solicitações de trabalho é coisa que não lhe falta. Rui Pedro Loureiro está habituado a que as pessoas só vejam o lado bom desta componente internacional da sua carreira e parece conviver bem com os comentários mais dados à inveja. Ainda assim, faz questão de explicar que este reconhecimento internacional não surgiu por mero acaso, aludindo à longa caminhada que teve que fazer até chegar aos spas das cadeias Six Senses e Anantara. “Tive que andar vários anos a esgaravatar para chegar até aqui”, repara.

Tudo começou na década de 90, quando decidiu deixar o curso de matemática para computação gráfica, em Coimbra, para trás e procurar um novo rumo para a sua vida. O destino levou-o ao encontro da licenciatura em medicina chinesa. Para tal, muito contribuiu a sua ligação às artes marciais e também a experiência profissional dos seus pais – a mãe tinha uma ervanária e o pai era farmacêutico. “Fiz parte da segunda turma do Pedro Choy em Portugal. Ele conseguiu passar-me esta paixão pela medicina chinesa”, conta, a propósito daquele que foi apenas um de várias degraus que teve de subir. Depois de acabar a licenciatura, foi tirar uma pós-graduação em Inglaterra, também passou pela China “para ganhar um pouco mais de prática”, fez mais umas quantas formações – uma delas voltou a levá-lo ao Reino Unido – e desenvolveu uma pesquisa que viria ser reconhecida a nível internacional: “Descobri uma técnica para as pessoas deixarem de fumar em apenas uma só sessão”, afiança.

Tratamentos para milionários

A partir de 2016, e à boleia deste tratamento anti-cigarros, Rui Pedro Loureiro começou a receber convites para levar os seus tratamentos a alguns hotéis de renome. Começou por Portugal, a convite da Six Senses, numa experiência que se alargou, depois, a Espanha, Grécia e a outros destinos mais longínquos, como o Qatar e o Kuwait. “Entretanto, outras empresas grandes começaram a convidar-me também”, relata o acupuntor que tem uma rotina mais ou menos fixa nos hotéis por onde vai passando. “Consulto os hóspedes e defino um plano, num conceito de férias saudáveis. A maioria dos meus pacientes são CEOS e muitas vezes estão esgotados, com muito stress. Vão uma semana ou duas, fazem acupuntura, epigenética, seguem uma plano de alimentação próprio, associadas a algumas atividades como ioga e massagens terapêuticas”, especifica. Outra das missões de Rui Pedro Loureiro passa por ajudar a formar equipas nos spas por onde passa.

Pelos consultórios que vai ocupando por esse mundo fora – grande parte das vezes com vista direta para o mar – atende, essencialmente, milionários (e alguns famosos também), sendo certo que este é um mercado em crescimento. “Com todo este confinamento as pessoas vão precisar ainda mais de retiros. Este ano e nos próximos, as palavras de ordem vão ser: saúde, bem-estar e sistema imunitário”, realça. “Os grandes hotéis estão a perceber isso e prevêem que a procura por estes retiros vá aumentar nos próximos tempos”, acrescenta.

Para aqueles que não podem dar-se a esse luxo, ficam algumas dicas acessíveis a todas as bolsas: “Tenham calma, respirem fundo e foquem-se em manter a saúde mental estável. Também é importante que bebam bastante água, a hidratação é fundamental para hidratar a parte do cérebro e do rim – este último, na medicina chinesa, melhora a auto-estima e a auto-confiança”, sugere. “E é preciso mexerem-se, combatendo o sedentarismo”, exorta. A estes cuidados devemos acrescentar também uma alimentação rica em “frutas e legumes locais e da época”. “Não adianta comer coisas que são do outro lado do mundo; essas coisas vão fazer bem às pessoas que lá vivem”, sustenta, deixando essa última dica: “importa evitar os excessos; perceber quantas calorias ingerimos e quantos queimamos”.

Respostas rápidas

Tem a noção que tem um emprego invejável?

As pessoas costumam dizer-me isso. Acham que é fabuloso estar nestes resorts de luxo, com todas estas condições. Todavia, esta vida é um pouco solitária. Estou afastado da minha família, particularmente do meu filho, que tem oito anos, e dos meus amigos. E às vezes são meses de ausência.

Mas há um lado positivo…

Sim. Desde 2016/2017 que passo o Ano Novo numa parte do mundo diferente: Maldivas, Barbados, etc. E desde que comecei a fazer o Inverno em zonas de calor e o Verão em Portugal deixei de ter Invernos frios.

 

De todos os spas por onde já passou qual o seu favorito?

É uma pergunta difícil. Há alguns que são lindíssimos pela localização, outros pelo resort em si. Talvez destacar um top três: os Anantara da Tailândia e das Maldivas, e o Six Senses de Creta, na Grécia.

Em situações normais, sem pandemia, passa quanto tempo fora?

Tento que as estadias no estrangeiro não sejam muito longas porque também tenho os meus pacientes em Portugal, que precisam do meu acompanhamento. Regra geral, no total, passo meio ano fora e seis meses em Portugal

Computador, telemóvel e agulhas: três objetos essenciais ao trabalho de Rui Pedro Loureiro

Veja a notícia completa aqui.

Fonte: Jornal Publico, Revista Fugas, 06/03/2021 – Maria José Santana

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